Vozes verbais

O verbo, além de possuir flexão em tempo, modo, número e pessoa, apresenta também a variação de voz.

A voz verbal é determinada pela relação que o verbo mantém com o seu sujeito. Há três vozes verbais na língua portuguesa:

Voz ativa

A voz ativa é empregada quando o sujeito da oração é o responsável por praticar a ação expressa pelo verbo, isto é, quando o sujeito é o agente do processo verbal.

  • A criança leu o poema.

No exemplo, o sujeito (a menina) é também o agente do processo verbal, uma vez que, do ponto de vista semântico, é “a criança” a responsável pela realização do processo verbal “leu”.

Exemplos com a voz ativa

  • Minha irmã plantou as suculentas nos vasos novos.
  • Eles fizeram uma refeição saudável.
  • O cachorro comeu o brinquedo da menina.
  • O garoto quebrou a cama.

Voz passiva

Emprega-se o verbo na voz passiva quando o sujeito da oração é o paciente da ação verbal, isto é, o sujeito sofre a ação expressa pelo verbo.

  • O poema foi lido pela criança.

A estrutura que determina a concordância verbal é “o poema”. Portanto, ele é o sujeito da oração. Contudo, do ponto de vista semântico, quem pratica a ação verbal não é “o poema”, mas sim “a criança” que, nesse caso, é chamada agente da passiva.

Exemplos com a voz passiva

  • As suculentas foram plantadas nos vasos novos.
  • O brinquedo da menina foi comido pelo cachorro.
  • O livro foi lido pelas crianças.

A voz passiva pode ser analítica ou sintética.

Voz passiva analítica

A voz passiva analítica é formada por um verbo auxiliar (geralmente ser ou estar) mais o particípio de um verbo transitivo.

  • O poema será lido por mim. (verbo ser + particípio verbo ler)

Na voz passiva analítica o agente da passiva poderá aparecer, mas não aparecerá obrigatoriamente, e geralmente será introduzido pela preposição “por”.

Voz passiva sintética

A voz passiva sintética é formada por um verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto conjugado na terceira pessoa do singular ou do plural mais o pronome apassivador “se”.

  • Leu-se o poema. (verbo ler terceira pessoa do singular + se)

Voz reflexiva

Na voz reflexiva o sujeito da oração verbal é paciente e agente ao mesmo tempo, isto é, ele recebe e pratica a ação verbal. A voz reflexiva é formada por um verbo na voz ativa mais um pronome oblíquo (me, te, se, nos, vos).

  • Cortou-se com a faca.
  • Atropelou-se em suas palavras.

A voz reflexiva pode denotar um sentido de reciprocidade. Assim, pode haver dois ou mais sujeitos que praticam e recebem a ação ao mesmo tempo e entre si.

  • Clara e Joana amam-se.
  • Eu, meus irmãos e meus pais damo-nos muito bem.

Vozes verbais e aspectos semânticos

Os verbos transitivos admitem a mudança da voz ativa para a voz passiva.

  • Ativa: Vendemos todos os colchões.
    • sujeito ativa: nós (sujeito oculto)
    • verbo: vendemos
    • objeto direto: os colchões
  • Passiva: Todos os colchões foram vendidos por nós.
    • sujeito: todos os colchões
    • verbo auxiliar: foram
    • verbo principal: vendidos
    • agente da passiva: por nós

Os exemplos acima exprimem a mesma situação: todos os colchões foram vendidos por um grupo de pessoas.

A diferença semântica entre esses exemplos está no termo para o qual deseja-se chamar a atenção.

Na voz ativa, o termo em evidência é “nós”. Deseja-se destacar os agentes da ação verbal.

Já na voz passiva, o termo que recebe atenção imediata do interlocutor é “todos os colchões”. Assim, as alternâncias entre as vozes são, em sua maioria, escolhas estilísticas em função do sentido que deseja-se transmitir.

Vejamos outro exemplo:

  • O menino quebrou o copo.
  • O copo foi quebrado pelo menino.

Na primeira frase, o mais importante é especificar quem quebrou o copo. Este é o fato mais importante.

Na segunda, por sua vez, mais importante do que o agente que provocou a quebra é o fato do copo ter sido quebrado.