Modos verbais

Os modos verbais indicam as diferentes maneiras de um fato se realizar. São três os modos verbais de um verbo:

Modo indicativo

O modo indicativo é utilizado para expressar, em geral, uma ação ou um estado considerados na sua realidade e na sua certeza.

Assim, o indicativo denota certeza, exprimindo um fato certo e positivo quer em referência ao presente, quer ao passado ou ao futuro.

  • Com certeza vou à aula hoje.
  • Eles saíram cedo.
  • Sei que vamos ganhar.

O modo indicativo pode apresentar-se em seis tempos verbais: o presente, o pretérito imperfeito, o pretérito perfeito, o pretérito mais-que-perfeito, o futuro do presente, futuro do pretérito. Cada um desses tempos verbais do indicativo é empregado com sentidos e valores específicos.

Emprego do presente do indicativo

O presente do indicativo é utilizado principalmente para:

  • indicar um fato atual (simultâneo ao ato da fala) ou habitual:
    • Agora penso em mudar de cidade.
    • Mal amanhece, as pessoas partem para o trabalho.
  • indicar um fato permanente, uma verdade científica ou filosófica:
    • É fato que a Terra gira em torno do Sol.
    • O homem é um animal racional.
  • tornar mais atual a representação de um fato passado em narrações:
    • Em 1922 acontece a Semana de Arte Moderna no Brasil.
    • Em 1945 eclode a Segunda Guerra Mundial.
  • indicar um fato que ocorrerá em breve:
    • Amanhã vou a Ouro Preto.

Emprego do pretérito imperfeito do indicativo

O pretérito imperfeito do indicativo é utilizado principalmente para:

  • enunciar um fato passado, porém não concluído, um fato que se prolongou:
    • Enquanto caminhava pela cidade, observava os grafites artísticos.
    • O moço fez um gesto que traía as suas intenções.
  • indicar um fato habitual e durativo, no passado:
    • José vivia sempre calado.
    • Quando criança, eu gostava muito de correr.
  • exprimir um desejo ou um pedido, com bastante polidez e educação. Nesse caso, usa-se em lugar do presente:
    • Gostava de saber se você vem à festa.
    • Eu queria ter apenas um terço da inteligência dele.

Emprego do pretérito perfeito do indicativo

O pretérito perfeito do indicativo é utilizado principalmente para:

  • indicar um fato completamente realizado, uma ação concluída:
    • O moço comeu e saiu.
    • Assinei os documentos o coloquei-os no correio.
    • Comprei novos livros.

Emprego do pretérito mais-que-perfeito do indicativo

O pretérito mais-que-perfeito do indicativo é utilizado principalmente para:

  • exprimir um fato passado, anterior a outro também passado:
    • Quando os convidados apareceram, a cerimônia já fora realizada.
    • Com a estratégia que elaborou, ele ganhara o jogo antes mesmo de entrar em campo.
  • traduzir desejos, em frases optativas (que exprimem desejos):
    • Quisera eu ter a vida que tens!
    • Quem me dera!
    • Prouvera a Deus que eles não sumissem.

Emprego do futuro do presente do indicativo

O futuro do presente do indicativo, ou simplesmente, futuro é utilizado, principalmente, para:

  • enunciar um fato que há de se realizar:
    • Nos casaremos no próximo mês.
    • Amanhã viajarei para a Bahia.
  • exprimir dúvida, possibilidade e incerteza:
    • Ela não estará errada?
    • Terá mesmo ido embora?
  • enunciar uma ordem ou conselho, com valor de imperativo:
    • Não matarás!
    • Ele irá com você agora mesmo!

Na linguagem coloquial, o futuro do presente do indicativo é comumente substituído por locuções verbais constituídas pelo presente do indicativo dos verbos ir, ter, haver + infinitivo do verbo principal:
Nós vamos casar no próximo mês. (vamos casar = casaremos)
Amanhã vou viajar para a Bahia. (vou viajar = viajarei)

Emprego do futuro do pretérito do indicativo

O futuro do pretérito do indicativo é utilizado principalmente para:

  • exprimir um fato futuro que se encontra condicionado a outro:
    • Eu faria o curso, se tivesse dinheiro.
    • “Se não houvesse diferenças, nós seríamos uma pessoa só.” (Graciliano Ramos, em São Bernado)
  • exprimir um fato futuro situado no passado:
    • As amigas decidiram: viajariam todas juntas no mês seguinte.
    • Afirmei, ontem, que não o ajudaria.
  • exprimir polidez ao fazer pedidos. Nesse caso é utilizado em lugar do presente:
    • Desejaria conversar a sós com você. (=desejo)
    • Poderia me dar uma informação? (=pode)
  • expressar dúvida, incerteza, probabilidade:
    • Seria verdadeiro o que contou?
    • Provavelmente, ela teria vinte e poucos anos.

Na linguagem coloquial, o futuro do pretérito do indicativo é comumente substituído por locuções verbais constituídas pelo pretérito imperfeito do indicativo do verbo ir + infinitivo do verbo principal:
Anunciaram que ia faltar água. (faltaria)

Modo subjuntivo

O modo subjuntivo emprega-se para enunciar um fato possível, duvidoso ou hipotético. É o modo que expressa incerteza em relação ao fato enunciado.

  • É possível que à noite chova.
  • Se você trabalhasse, poderia guardar dinheiro.
  • Talvez eu estude neste semestre.

O mudo subjuntivo pode apresentar-se em cinco tempos verbais: o presente, o pretérito imperfeito, o pretérito perfeito, o pretérito mais-que-perfeito e o futuro. Os tempos verbais do subjuntivo são utilizados com valores e sentidos específicos.

Emprego do presente do subjuntivo

O presente do subjuntivo é utilizado para:

  • exprimir dúvida, hipótese e possibilidade:
    • Talvez seja essa a intenção dela.
    • É possível que eu consiga.
  • integrar orações que expressam desejos (optativas) e orações que expressam maus desejos (imprecativas):
    • “Que as luas se sucedam em todos os céus do mundo.” (Lêdo Ivo)
    • E que tudo mais pro inferno!

Emprego do pretérito imperfeito do subjuntivo

O pretérito perfeito do subjuntivo é utilizado, principalmente, para:

  • integrar frases optativas e imprecativas:
    • Quem dera fosse eterna esta ventura!
  • traduzir uma condição, um meio para se conseguir determinado fim:
    • Se você desejava tudo isso, trabalhasse com mais empenho.
    • Se queria ir embora, tivesse se despedido e ido.
  • exprimir um fato irreal ou hipotético:
    • Talvez o poupassem ao saber que era uma criança.

Emprego do pretérito perfeito do subjuntivo

O pretérito perfeito do subjuntivo é utilizado para:

  • enunciar um fato passado, real ou incerto, provável:
    • Talvez tenham seguido por outro caminho.
    • Foi bom que eles tenham saído daqui.

Emprego do pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo

O pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo é empregado para:

  • exprimir um fato hipotético, ou irreal, anterior a outro igualmente irreal, ou hipotético:
    • Se tivessem chegado mais cedo, seriam atendidos.
    • Antes a houvesse esquecido!

Emprego do futuro do subjuntivo

O futuro do subjuntivo é utilizado em:

  • orações subordinadas adverbiais (condicionais, conformativas e temporais):
    • Se quiser, irei vê-lo.
    • Quando puder, passarei por aí.
  • orações subordinadas adjetivas:
    • Direi uma palavra amiga aos que me ajudarem.

Modo imperativo

O modo imperativo é utilizado para a expressão de uma ordem, de um pedido, de um conselho, de uma proibição, de uma súplica ou de um convite.

  • Volte logo!
  • Sejam prudentes.
  • Não fiquem aí parados.
  • Cala-te, não digas nada.
  • Não me deixes só.

Os diferentes valores que o modo imperativo pode expressar depende do significado do verbo, do sentido geral do contexto e, principalmente, da entonação que é dada à frase. Conforme o tom de voz, a noção de comando pode enfraquecer-se até chegar à de súplica.

Por exemplo, numa frase como:

  • Saiam da chuva, garotos!