Grau dos advérbios

Os advérbios fazem parte da classe de palavras invariáveis da língua portuguesa e, em sua maioria, não sofrem nenhum tipo de flexão. Contudo, alguns advérbios, principalmente os de modo, são suscetíveis de grau e podem apresentar-se em dois graus da língua portuguesa: o comparativo e o superlativo.

Grau comparativo

O grau comparativo é utilizado para estabelecer comparações entre dois ou mais elementos de uma frase. A comparação pode ser de superioridade, de igualdade ou de inferioridade.

  • O filho andava mais depressa que o pai. (comparativo de superioridade)
  • O filho andava tão depressa quanto o pai. (comparativo de igualdade)
  • O pai andava menos depressa que o filho. (comparativo de inferioridade)

Formação do grau comparativo

  • De superioridade: forma-se o grau comparativo de superioridade antepondo mais e pospondo que ou do que ao advérbio:
    • A menina comeu mais rápido que (ou do que) a irmã.
    • Ele sempre foi mais rápido do que os colegas.
    • Roberta falava mais calmamente que (ou do que) qualquer outro.
  • De igualdade: forma-se o grau comparativo de igualdade antepondo tão e pospondo como ou quanto ao advérbio:
    • Era tão inteligente como (ou quanto) a mãe.
    • Agiu tão bondosamente como (ou quanto) os outros.
    • Lia tão atentamente como (ou quanto) o professor.
  • De inferioridade: forma-se o grau comparativo de inferioridade antepondo menos e pospondo que ou do que ao advérbio:
    • Terminou o trabalho menos cedo que (ou do que) eles.
    • Brincou menos alegremente que (ou do que) as outras crianças.
    • Correu menos rápido que (ou do que) o cachorro.

Na formação do comparativo dos adjetivos bom e mau não utiliza-se “mais bom”, “menos bom”, “mais mau” e “menos mau”. Deve-se empregar as palavras melhor e pior:

Quem escreveu melhor?
Ele está cada vez pior.

As formas comparativas melhor e pior podem ser intensificadas com um dos advérbios muito, bem, bastante, etc.:

Ela escreveu bem melhor que os outros.
Meu avô está muito pior do que no ano passado.

Grau superlativo

O grau superlativo dos advérbios é utilizado para elevar a ideia expressada pelo advérbio a um grau máximo.

  • O garoto estava bastante nervoso. (superlativo analítico)
  • O garoto estava nervosíssimo. (superlativo sintético)
  • Exercitava-se muito pouco. (superlativo analítico)
  • Exercitava-se pouquíssimo. (superlativo sintético)

Formação do grau superlativo

  • Analítico: o superlativo analítico é formado pela anteposição ao advérbio de outro advérbio de intensidade:
    • Ele muito mal se conhece.
    • Isso que fez foi bem mal, muito mal mesmo!
    • Ficou o dia todo bastante ansioso.
    • Ontem acordei muito tarde.
  • Sintético: o superlativo sintético é formado com o acréscimo de um sufixo ao advérbio. Geralmente, utiliza-se o sufixo -íssimo.
    • Estava tristíssimo.
    • Tinha pouquíssimo dinheiro.
    • Meu irmão é educadíssimo.
    • Ficou animadíssimo com a notícia que recebeu.

Para se formar o superlativo dos advérbios terminados em -mente deve-se notar o seguinte: a terminação -mente será posposta à forma superlativa feminina do adjetivo que se deriva o advérbio.

Advérbio lentamente → derivado do ajetivo lento. Forma superlativa feminina do adjetivo: lentíssima → Superlativo do advérbio lentamente: lentissimamente.